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A Poesia de Cartola

Autonomia
(Cartola)

É impossível nessa primavera eu sei
Impossível pois longe estarei
Mas pensando em nosso amor
Amor sincero
Ai, seu eu tivesse autonomia
Se eu pudesse gritaria
Não vou não quero

Escravizaram assim um pobre coração
É necessário a nova Abolição
Pra trazer de volta a minha liberdade

Se eu pudesse gritaria amor
Se eu pudesse brigaria amor
Não vou, não quero

Beijos
(Cartola)

Beijos,
Ainda quero mais beijos teus

Beijos,
Para satisfazer os meus

Beijos,
Nem que sejam de falsidade

Beijos,
Melhor que se fossem de verdade

Assim não dá
(Cartola/Evandtro Bóia)

Assim não dá, não dá não
Não vai dar meu irmão

É doutor presidente
Doutor secretário
Doutor tesoureiro
Só quem não é seu doutor
É aquele pretinho
Que varre o terreiro

Qem manda na bateria é uma madama
Filha de magistrado
Vai dirigir a harmonia
Me disse o compadre
Que já está combinado

Já houve lá um concurso
Pra quem bate surdo
Tamborim e pandeiro
Eu fiz tanto esfôrço
Mas acabei perdendo
Pra um engenheiro
Fiz um samba lindo
Botei no concurso
Fui desclassificado
Por hunanimidade
Disseram que os versos
Eram de pé quebrado


Cadeira Vazia
(Cartola/Nuno Veloso)

Eu quisera esquecer o passado
Eu quisera mas sou obrigado
A lembrar o grande Noel
Ainda resta a cadeira vazia
Da escola de filosofia
No bairro de Vila Isabel

Professores trilham seu caminho
Dentre eles destaco Martinho
Mas nenm todos, nenhum,
nem ninguém
A você se chegou
Eu também agora prossigo
Esse grande trabalho
Não sei se o baralho
Deu trunfos demais pra você
Nem cartas poucas para mim.



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