afro
afro Solano Trindade
Poeta pernambucano, filho de um sapateiro, nascido
em 1908. Emigrou para São Paulo. Foi operário e colaborou
na imprensa. Trabalhou no cinema e manteve um grupo teatral
folclórico por vários anos. Escreveu Poemas de uma Vida
Simples e Cantares do Meu Povo
ORGULHO NEGRO
Eu tenho orgulho de ser filho de escravo...
Tronco, senzala, chicote,
Gritos, choros, gemidos,
Oh! que ritmos suaves,
Oh! como essas cousas soam bem
Nos meus ouvidos...
Eu tenho orgulho em ser filho de escravos..
.
POEMA DO HOMEM

Desci à praia
Para ver o homem do mar,
E vi que o homem
Š maior que o mar

Subi ao monte
Pra ver o homem da terra,
E vi que o homem
Š maior que a terra

Olhei para cima
Para ver o homem do céu,
E vi que o homem
Š maior que o céu.

O CANTO DA LIBERDADE

Ouço um novo canto,
Que sai da boca,
de todas as raças,
Com infinidade de ritmos...
Canto que faz dançar,
Todos os corpos,
De formas,
E coloridos diferentes...
Canto que faz vibrar,
Todas as almas,
De crenças,
E idealismos desiguais...
Š o canto da liberdade,
Que está penetrando,
Em todos os ouvidos...

MEU CANTO DE GUERRA

Eu canto na guerra,
Como cantei na paz,
Pois o meu poema
Š Universal.
Š o homem que sofre,
O homem que geme,
Š o lamento
Do povo oprimido,
Da gente sem pão...
Š o gemido
De todas as raças,
De todos os homens.
Š o poema
da multidão!

ABOLIÇÃO NÚMERO DOIS

Parem com estes batuques,
Bombos e caracaxás,
Parem com estes ritmos tristes e sensuais

Deixem que eu ouça
Que eu veja
Que eu sinta
O grito
A cor
E a forma
da minha libertação...

QUEM TÁ GEMENDO?

Quem tá gemendo,
Negro ou carro de boi?
Carro de boi geme quando quer,
Negro, não,
Negro geme porque apanha,
Apanha pra não gemer...

Gemido de negro é cantiga,
Gemido de negro é poema...

Gemem na minh'alma,
A alma do Congo,
Da Niger, da Guiné,
De toda África enfim...
A alma da América...
A alma Universal...

Quem tá gemendo,
negro ou carro de boi?

POEMA AUTOBIOGRÁFICO

Quando eu nasci,
Meu pai batia sola,
Minha mana pisava milho no pilão,
Para o angu das manhãs...
Portanto eu venho da massa,
Eu sou um trabalhador...

Ouvi o ritmo das máquinas,
E o borbulhar das caldeiras...
Obedeci ao chamado das sirenes...
Morei num mucambo do ""Bode"",
E hoje moro num barraco na Saúde...

Não mudei nada...

VOU PRA TERRA DE IRACEMA

Vou pra terra de Iracema,
Amanhã - se Deus quiser,
Dizem que a terra é bonita,
Como olhar de mulher...

Vou pra terra de Iracema
Vou mimbora prô Ceará
Meu coração quer queu siga
A minhalma quer queu vá...

CONGO MEU CONGO

Pingo de chuva,
Que pinga,
Que pinga,
Pinga de leve
No meu coração.
Pingo de chuva,
Tu lembras a canção,
Que um preto cansado,
Cantou para mim,
Pingo de chuva,
A canção é assim.

Congo meu congo
Aonde nasci
Jamais voltarei
Disto bem sei
Congo meu congo
Aonde nasci...

De Poemas Duma Vida Simples, sem editor
ou data, provavelmente de 1944.



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