
José Carlos do Patrocínio
Filho de um padre dono de escravos
e fazendeiro (Padre João Carlos
Monteiro) e de uma vendedora de
frutas Afro-Brasileira Justina Maria
do Espírito Santo, José do
Patrocínio nasceu na casa de seu
pai em Campos dos Goitacazes na região
leste do Rio de Janeiro. Criado no
vicariato de Campos e em uma fazenda
da cercania, deixou a casa de seu pai
ainda menino em 1868 para trabalhar
e estudar no hospital Misericórdia
no Rio de Janeiro, conseguindo entrar
como estudante de farmacologia na
Faculdade de Medicina. Formado, mas
sem dinheiro para se estabelecer na
profissão, foi salvo da miséria
por uma oportunidade de dar aulas
particulares aos filhos de um rico
dono de terras e imóveis, o capitão
Sena, mais tarde casando-se com
uma de suas filhas.
Em 1877 juntou-se à equipe da Gazeta de Notícias, dado à fôrça de sua habilidade poética
onde tornou-se o símbolo do movimento Abolicionista no Brasil.
Com a morte do dono do jornal, Ferreira de Araúo, em 1881, Patrocínio tornou-se
dono do jornal, um presente de seu sogro, o capitão Sena.
Emotivo, excitado, teatral e romântico, conquistava as platéias tanto em público como através da imprensa com sua lucidez e com seus apêlos emocionalmente poderosos. "Era emoção que o inspirava em seus poderosos discursos", escreveu Carolina Nabuco, "como se estivesse se jogando aos soluços aos pés da Princesa Imperial em um impulso irresistível de gratidão. Ele não fazia discursos, interpretava-os com uma fôrça extraordinária, mas (os discursos) tinham ardor comunicativo e espontaneidade vibrante, o que amenizava a dramatização exagerada . . . "
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